Serra Pelada
O longa-metragem que narra a história da dupla de
amigos Joaquim e Juliano ( Juliano Cazarré e Júlio Andrade), que
abandonam a vida na capital paulista para tentar a sorte no garimpo
do Pará, em busca de enriquecimento, reflete de forma muito
competente a realidade vivida por milhares de homens na década de
80. Misturando imagens da ficção com matérias jornalísticas da
época, o filme do diretor Heitor Dhalia consegue passar ao
telespectador com êxito a particular realidade do local.
O que parecia impossível de ser retratado, foi
feito com precisão em meio a uma trama ficcional e a atuação
surpreendente da atriz Sophie Charlotte, que pela primeira vez fez
cenas de nudez e sexo mais picantes, e os experientes Matheus
Nathergale e Wagner Moura, dentre outros.
Em meio a muitos tiros, prostituição, abuso de
poder e condições sub-humanas de trabalho, onde diariamente
morria-se em busca de ouro, o drama mostra como era o dia a dia dos
homens nos garimpos e como muitos perderam tudo no mesmo dia, como o
homem que fretou um avião para ir sozinho passar a noite na Capital.
Na trama, Joaquim é um professor casado, que
deixou a mulher grávida em São Paulo e só pensa em conseguir
dinheiro para voltar para sua vida, mantendo-se fiel aos seus
valores. Enquanto Juliano, que não deixou nada para trás, acredita
que em Serra Pelada “quem não manda é mandado” e após
experimentar o gosto do poder corrompe-se facilmente, tornando-se um
empresário temido por todos, que não exita em matar.
Estas são apenas algumas características das
milhares de pessoas que participaram da busca pelo ouro paraense na
década de 80, expondo-se à Malária, à AIDS, num cenário de
extrema violência, que aflorava o pior de cada ser humano.
Quem não conhece a história de Serra Pelada não
pode perder a oportunidade de assistir e absorver a realidade através
da ficção. E quem conhece, certamente vai adorar ver a precisão
das cenas e histórias que se confundem com uma época da história
brasileira.